Olá, caros leitores! É com grande alegria que trazemos mais um entrevistado na coluna Papo com o autor.

Hoje é dia de André Felipe de Lima, autor da obra “Ídolos – Dicionário dos craques do futebol brasileiro de 1900 aos nossos dias”.

Confira a entrevista e, no final, informações sobre a obra.

1) Conte um pouco de sua história pessoal e profissional.

Sou carioca, 46 anos, bem casado e pai de um filho, hoje com 19 anos. Jornalista há mais de 20 anos, trabalhei como repórter em algumas das principais redações do Rio de Janeiro e também fui assessor de comunicação externa de algumas grandes empresas que mantêm matriz no Rio. Durante dez anos, fui professor universitário. Uma experiência gratificante, porém desafiadora se levarmos em conta o descaso crônico que temos com a educação no país.

2) Você sempre quis ser escritor?

Ler, pesquisar e escrever é algo que me move desde criança. Com cerca de 11 anos, escrevi em um surrado caderno a história do futebol carioca. Era um esboço, naturalmente, infantil e ingênuo, mas foi um começo importante. Um garotinho pesquisando e tentando escrever uma história… isso é muito legal e, como arrisquei-me naquela época, hoje há muitos meninos e meninas que fazem o mesmo, mas sem que alguém os estimule… que pena. Creio que o Dicionário dos craques, sem que eu percebesse, tenha nascido ali, naquele caderno do menino de 11 anos. O curioso é que, na época, mostrei-o para uma professora de língua portuguesa, mas ela não deu a menor bola. Sequer leu algumas linhas. Infelizmente, o caderno se perdeu com os anos, mas o conteúdo e, sobretudo, a perseverança permaneceram vivos.

3) Como surgiu a ideia do livro “Ídolos – Dicionários dos craques do futebol brasileiro”?

Há pouco mais de 10 anos, eu e meu filho, que na época tinha nove anos, jogávamos uma despretensiosa partida de botão. Simplesmente do nada, o garoto vira-se para mim e pergunta: “Pai, quem foi o Dequinha?”. Achei o fato, no mínimo, curioso. Um garoto de nove anos perguntar quem foi Dequinha, um jogador do Flamengo, tricampeão carioca, entre 1953, 54 e 55? Realmente me deixou com a pulga atrás da orelha. Provavelmente meu filho deve ter ouvido o avô falar sobre o Dequinha e resolveu perguntar de quem se tratava.

4) Qual foi o processo de seleção dos craques listados? Alguém o ajudou neste trabalho? Quanto tempo levou até o produto final?

Dias depois daquela partida de botão com o meu filho, iniciei um levantamento rigoroso dos principais clubes brasileiros, de norte a sul, e dos seus grandes ídolos, de 1900 até hoje. Pesquisei tudo o que se pode imaginar sobre os mais de 2000 craques listados para a obra. Acervos de diversos estados, centenas de livros, jornais e revistas, daqui e do exterior, documentários e reportagens de TV, áudios diversos, enfim, um trabalho hercúleo. E bote hercúleo nisso! Mantendo sempre o cuidado de inserir notas em cada biografia, conferindo mais credibilidade à origem de cada informação pesquisada e, em alguns casos, confrontada com outras. Dois anos após iniciar as pesquisas, convidei alguns alunos para me ajudarem com esse processo. Como comentei anteriormente, já temos quase 11 anos de pesquisas, que, como prefacista Fernando Calazans escreveu, é eterna. Isso é que é bacana. A obra não é minha. Ela permanecerá para quem assumi-la nas décadas seguintes, como permaneceram os legados do Mario Filho, do Adriano De Vaney e do Thomaz Mazzoni, talvez os primeiros cronistas a se preocuparem com a história dos jogadores brasileiros. Em seguida, João Máximo, Marcos de Castro e Divino Fonseca e, hoje, temos grandes nomes na imprensa que deram sequência a estes cobras do passado, como Celso Unzelte, Paulo Vinícius Coelho, Marcelo Duarte, Claudio Nogueira, André Ribeiro e Marcos Eduardo Neves. Mas há um jornalista que merece elogio especial. É o Milton Neves, que há anos mantém em seu portal na internet uma seção sempre atualizada sobre a história e o paradeiro de craques do passado. É louvável. É respeitável o esforço dele para manter viva a história do jogador brasileiro.

5) Dentre tantos jogadores e histórias, qual chamou mais sua atenção? Por quê?

Difícil identificar porque todos têm ou tiveram suas peculiaridades, seus dramas, suas glórias. Almir Pernambuquinho, por exemplo, tem uma história impressionante, dentro e fora dos gramados. Heleno de Freitas, idem, e já virou até filme. Ademir de Menezes, que, nos tempos em que jogava pelo Vasco, foi mais famoso que o Getúlio Vargas. E o Mitotônio, um dos maiores ídolos do Ceará, que poucos, do sudeste ou do sul conhecem? Este camarada, diziam, jogava muito, e, horas antes de disputar um jogo, degustou uma farta buchada de bode. Resultado: morreu ali mesmo, no gramado, subitamente, diante dos outros jogadores e da torcida. São histórias críveis, mas, algumas, beirando o inverossímil, como a do ponta Antenor Correa, do Bangu dos anos de 1910 e 20, que teria cobrado um escanteio, correu até a área fez o gol com a cabeça. E há registro jornalístico da, digamos, “façanha”.

6) Para quem é recomendada a leitura desse livro? Há algum público específico em potencial?

O Dicionário dos craques é para quem gosta de futebol, mas também aprecia História e biografias. Muito do que aconteceu na vida destes jogadores ditou costumes, e continua ditando. Qual rapaz não queria ser um Heleno de Freitas? Qual menino, em suas peladas nas ruas ou na terra batida, não queria jogar como Pelé, Garrincha, Zico, Sócrates, Ademir da Guia, Rivelino, Tostão ou Falcão? Eu fui assim, não fujo à regra. Espero que o Dicionário dos craques seja uma gotinha de estímulo à leitura para os jovens.

7) Em sua opinião, qual será a contribuição cultural da obra para a cultura brasileira? Qual a importância principal que ela terá?

Seria muita pretensão minha denominar a obra como algo imprescindível para a cultura brasileira. Quem sou eu, afinal, para tanto? Mas, como disse anteriormente, desejo que o Dicionário dos craques estimule a leitura da moçada. Se conseguirmos atingir um pouco dessa meta, ficarei imensamente feliz. Fui professor universitário por dez anos, vi de perto este desafio.

8) Por qual motivo se deve a escolha do lançamento, primeiramente, apenas do volume “A”?

Somente a “Letra A” tem centenas de páginas. Para não deixarmos as biografias sem fôlego, optamos por ampliar o Dicionário dos craques para uma coleção com 20 volumes. Assim, conseguimos manter informações extremamente relevantes da história destes ídolos do futebol.

9) Quando será lançado o próximo volume?

A “Letra B” já está pronta para ser lançada em breve.

10) Deixe um recado para nossos leitores!

Vamos resgatar nossa memória, pessoal. País que não compreende seu passado e tampouco a vida daqueles que escreveram nossa história não tem identidade. Mudar esse cenário preocupante depende do esforço de cada um e não somente do estado.

Sobre a obra

Chegou o primeiro volume (letra A) do mais completo dicionário dos craques do futebol brasileiro. Uma viagem pela história futebolística de 1900 aos nossos dias. Ídolos de todos os cantos do país, de A a Z.

Páginas: 691
Ano: 2014
Edição: 1 (Letra A)
Gênero: Literatura / Esportes
ISBN: 9788568227213
Preço: R$ 25,00
Editora: Cia do eBook

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Até a próxima 😉

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